Qualquer um que se interesse por ciência tem em Richard Dawkins um dos autores de leitura obrigatória. Esse livro não é diferente.
Apesar do título meio supersticioso, que sem querer pode afastar um eventual comprador de ocasião, ele é uma boa ferramenta de divulgação científica. E ainda considero os 3 primeiros capítulos de uma clareza primorosa.
Principalmente no detalhamento da Teoria da Evolução.
Vale muito a leitura do texto produzido logo após o ataque as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2011, no final do 3º Capítulo chamado "A Mente Infectada".
Também são questionados a quantidade de termos científicos mal empregados por supersticiosos e por defensores das pseudociências. O mesmo que Carl Sagan já dizia, mas com uma linguagem mais ácido própria de Richard Dawkins.
Depois uma série de resenhas de livros e homenagens a outros autores e cientistas deixa o livro menos interessante se você não conhece os homenageados. Mas vale como conhecimento geral das pessoas que influenciaram o autor.
Se se interessarem seguem alguns links que encontrei:
Um excelente debate ocorreu dia 09/11/13 promovido pelo site ciudadedelasideas.com entre Deepak Chopra e Richard Dawkins. Infelizmente ainda não tem legendas em português, mas assim que encontrar um link eu atualizo o post.
Deepak Chopra tem uma visão mística do mundo. Seus livros falam do relacionamento entre física quântica e religião, uma falácia que é fácil de fazer por ser um tema muito complexo. Richard Dawkins representa o extremo oposto. A ciência como uma ferramenta para entender o universo. Sem espiritualidade nenhuma envolvida.
Fica claro como Deepak adora a palavra "quantum". Usa para tudo. E Dawkins fica rebatendo ele sobre o mal uso do termo. Na minha opinião, o Deepak viaja tanto falando quanto nos seus textos. Sai do tema, junta assuntos nada a ver e usa palavras de física no meio de contextos totalmente errados. Dawkins em alguns momentos fica bem irritado!!! Em resumo, Deepak tem respostas para tudo, mesmo usando termos nada a ver para fazer metáforas impossíveis. Já Dawkins não tem medo de dizer que a ciência ainda não tem todas as respostas, mas quando elas vierem, serão bem embasadas cientificamente, e através de muito trabalho.
Só queria reproduzir aqui o último argumento de Richard Dawkins quando ele responde a questão sobre religião. Se ela é boa ou má para a humanidade:
"A questão não é sobre se um indivíduo deve ou não ser religioso ou bom ou mal. A questão é sobre a religião em si mesma. Eu penso que existem aspectos na religião que é ruim por si mesma. Eu penso que a fé cega, acreditar em coisas sem evidência, pode levar a praticar coisas ruins porque a religião, sua fé, dizem para você fazer. Muita pessoas que acreditavam que estavam fazendo o que era certo, fizeram várias atrocidades porque acreditavam que estavam fazendo pelo seu Deus. Portanto a fé, a fé cega, pode produzir estes maus efeitos.
Quanto a mim quanto cientista, eu costumo dizer que o que me incomoda mais na religião é que ela nos ensina a se satisfazer sem entender. Ensina a se satisfazer com pseudo explicações que na verdade não são explicações nenhuma. Coisas que soam bem como explicação mas na verdade não são. Apelam para a emoção mas de fato não explicam nada.
Eu penso que a religião nesse sentido pode ser inimiga da ciência, inimiga da verdade. Mas esta noite eu estava refletindo mais sobre o que é realmente o inimigo da verdade, o inimigo da ciência... que é o obscurantismo intencional, seja vindo da religião ou não."
Não seria necessário existir fósseis para se provar que evoluimos de uma mesma linhagem. O nosso próprio DNA e as similaridades entre as espécies seriam suficientes. Em alguns casos o nosso corpo carrega até hoje alguns "erros" de projeto consequência da evolução, como é o caso do nervo laríngeo. Um nervo que sai da parte inferior do cérebro, vai até o torax e volta para a laringe, do lado do ponto de partida.
Se fôssemos fruto de um projeto consciente certamente esse nervo não daria uma volta dessas. Mas é facilmente explicado considerando a evolução natural das espécies. No vídeo o Prof. Richard Dawkins mostra a dissecação de uma girafa, que mesmo com um pescoço tão grande possui o mesmo nervo dando essa volta. Bem maior no caso dela!
Em abril, o jornalista Andrew Zakk Williams da revista New Statesman entrevistou várias personalidades públicas perguntando por que eles acreditavam em Deus. Esse mês ele selecionou outras para dizer o contrário. Por que não acreditam?
No link da New Statesman tem vários, mas o mais famoso por nossas bandas é o Richard Dawkins. Ele tentou resumir todos os livros e textos que ele fez sobre o assunto e encaixou na resposta. Está até afiada demais para o meu gosto mas segue a tradução.
Richard Dawkins. Photograph: Getty Images.
Richard Dawkins
Biólogo evolucionista
Eu não acredito em duendes, lobisomens, Thor, Poseidon, Yahweh, Allah ou na Santíssima Trindade. Pela mesma razão, em todos os casos: não há o menor fragmento de evidência para qualquer um deles, e o ônus da prova recai sobre aqueles que desejam acreditar.
Mesmo sem nenhuma evidência para os deuses específicos, poderíamos fazer uso de algum "designer inteligente" não especificado ou "força motriz", ou progenitor de "algo melhor que nada"? De longe a versão mais atraente desse argumento é o biológico - os seres vivos possuem uma poderosa ilusão de design. Mas essa é a principal versão que Darwin destruiu. Qualquer teísta que apela para "design" dos seres vivos simplesmente trai a sua ignorância da biologia. Vá embora e leia um livro. E qualquer teísta que apela a evidência bíblica trai a sua ignorância da ciência moderna. Vá embora e leia outro livro.
Quanto ao argumento cosmológico, cujo Deus vai sob nomes como Causa Primordial, os físicos estão chegando, com resultados fascinantes. Mesmo que ainda existam questões não respondidas - de onde vêm as constantes e leis fundamentais da física? - obviamente que não ajuda postular um designer cuja existência levanta questões maiores do que ele pretende resolver. Se a ciência falha, a nossa melhor esperança é a de construir uma ciência melhor. A resposta não estará nem na teologia, nem - no equivalente exato - na leitura de folhas de chá.
Em qualquer caso, é um salto ilógico partir de um Criador para a Santíssima Trindade, com o Filho sendo torturado e assassinados porque o Pai, com toda sua onisciência e onipotência, não poderia pensar em uma maneira melhor de perdoar o "pecado".
Igualmente não convincentes são aqueles que acreditam porque os conforta (por que a verdade deve ser consoladora?) ou porque "parece certo". Cherie Blair ["I'm a believer", New Statesman, 18 de Abril] representa a brigada do "parece certo". Ela baseia sua crença em "uma compreensão de algo que minha cabeça não consegue explicar mas meu coração sabe que é verdade". Ela aspira a ser uma juiza. Meritíssima, não posso fornecer a evidência de que necessita. Minha cabeça não pode explicar porque, mas meu coração sabe que é verdade.
Por que é a religião é imune aos padrões críticos que se aplicam não apenas nos tribunais, mas em todas as outras esferas da vida?