domingo, 30 de outubro de 2011

Ben Goldacre: Combatendo a Ciência Ruim!

Já postei outros vídeos produzidos pela Organização TED aqui e encontrei mais esse do Ben Goldacre que é muito bom. Ele praticamente fala tudo que eu costumo falar para meus amigos em discussões aleatórias, principalmente quando estão explicando porque o complemento alimentar que acabaram de pagar uma pequena fortuna funciona.

No vídeo ele dá uma boa idéia de como é fácil fazer mau uso dos dados e criar mantras sobre saúde. E ainda mais com a ajuda dos meios de comunicação, que muitas vezes tem uma idéia distorcida sobre o assunto, mas tem uma marca de peso assinando e isso convence muita gente fácil.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Michael Shermer - É muito fácil acreditar em coisas estranhas...

Encontrei esse vídeo de 2006 onde Michael Shermer comenta sobre coisas estranhas que as pessoas acreditam. É um vídeo curto e ele acelera bastante, mas já tem legendas em português-BR.
Ele é editor da revista Skeptics, que é de uma organização que tem a mesma missão desse blog, só que com muito mais recursos! Além disso também escreve para a Scientific American e alguns artigos dele saem na revista publicada aqui.

sábado, 22 de outubro de 2011

Carl Sagan - Ondas, Sons e a Luz! - Parte 2

No primeiro post desse assunto reproduzi parte do texto onde Carl Sagan relaciona as ondas com os sons. Agora continuando o texto para a correlação com a luz. Recomendo a leitura completa do capítulo que é muito bom!

continuação....
Em muitos contextos, a luz se comporta como uma onda. Por exemplo, imaginem a luz que passa por duas fendas paralelas num quarto escurecido. Que imagem ela projeta numa tela atrás das fendas? Resposta: a imagem das fendas - mais exatamente, uma série de imagens paralelas brilhantes e escuras das fendas - um "padrão de interferência". Em vez de se deslocar como um projétil em linha reta, as ondas se espalham a partir das duas fendas em vários âmgulos. Onde crista incide sobre crista, temos uma imagem brilhante da fenda: interferência "construtiva"; e onde crista incide sobre depressão, temos a escuridão: interferência "destrutiva". Esse é o comportamento carcterísticos de uma onda. Você pode observar que a mesma coisa acontece com as ondas de água e dois buracos cortados ao nível da superfície nas estacas de um píer numa praia.


Entretanto, a luz também se comporta como uma corrente de peuquenos projéteis, chamados fótons. É assim que funciona uma célula fotoelétrica comum (numa máquina fotográfica, por exemplo, ou numa calculadora fotoelétrica). Cada fóton que chega ejeta um elétron de uma superfície sensível; muitos fótons geram muitos elétrons, um fluxo de corrente elétrica. Como a luz pode ser simultâneamente uma onde e uma partícula? Esse dualismo onda-partícula nos lembra mais uma vez um fato humilhante fundamental: a natureza nem sempre se ajusta às nossas predisposiçõese preferências, ao que consideramos confortável e fácil de compreender.

Ainda assim, para a maioria dos fins, a luz é semelhante ao som. As ondas luminosas são tridimensionais, têm uma frequencia, um comprimento de onda e uma velocidade (a velocidade da luz). Mas, espantosamente, elas não requerem um meio, como a água ou o ar, para se propagar. Recebemos luz do Sol e das estrelas distantes, mesmo que o espaço intermediário seja um vácuo quase perfeito.

Para a luz visível comum - o tipo a que nossos olhos são sensíveis - a frequencia é muito elevada, cerca de 600 trilhões (6 x 10^4) de ondas que atingem nossos globos oculares a cada segundo. Como a velocidade da luz é de 30 bilhões (3 x 10^10) de centímetros por segundo (186 mil milhas por segundo), o comprimento de onda da luz visíel é cerca de 30 bilhões dividido por 600 trilhões, ou 0,00005 (0,5 x 10^-4) centímetros - muito pequeno para ser vistas por nossos olhos, se fosse possível que as próprias ondas fossem iluminadas.

Assim como os humanos percebem frequencias diferentes de som como tons musicais diferentes, frequencias diferentes de luz são percebidas como cores diferentes. A luz vermelha tem uma frequencia de cerca de 460 trilhões (4,6 x 10^12) de ondas por segundo; a luz violeta, de aproximadamente 710 trilhões (7,1 x 10^12) de ondas por segundo. Entre elas estão as cores familiares do arco-íris. Cada cor corresponde a uma frequencia.

Assim como há sons altos demais e baixos demais para o ouvido humano, há frequencias de luz, ou cores, fora do alcance de nossa visão. Elas se estendem a frequencias muito mais elevadas ( cerca de 1 bilhão de bilhões - 10^18 - de ondas por segundo para os raios gama) e a muito baixas ( menos de uma onda por segundo para ondas de rádio longas). Passando pelo espectro de luz, das altas para as baixas frequencias, estão largas faixas chamadas raios gama, raios X, luz ultravioleta, luz visível, luz infravermelha e ondas de rádio. São todas ondas que viajam pelo vácuo. Cada um é um tipo de tão legítimo de luz quanto a luz visível.



Os seres vivos foram inventivos no uso que fizeram da cor - para absorver a luz do Sol e, por meio da fotossíntese, produzir alimentos do ar e da água; para lembrar às mães pássaros onde ficam as goelas de seus filhotes; para despertar o interesse de um parceiro; ára atrair um inseto polinizador; para se camuflar e se disfarçar; e, pelo menos entre os humanos, pelo prazer da beleza. Mas tudo isso só foi possível graças à física das estrelas, à química do ar e ao mecanismo elegante do processo evolucionário, que nos levou a uma harmonia tão magnífica com nosso ambiente físico.

E quando estudamos outros mundos e examinamos a composição químimca de suas atmosferas ou superfícies - quando lutamos para compreender por que a névoa superior da lua de Saturno, Titã, é marrom e o terreno rugoso da lua de Netuno, Tritão, é rosa - estamos nos baseando nas propriedades das ondas de luz, que não são muito diferentes das ondas que se espalham na banheira.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Carl Sagan - Ondas, Sons e a Luz! - Parte 1

No livro Bilhões e Bilhões de Carl Sagan tem um capítulo chamado "O Olhar de Deus e a Torneiraque Pinga" (pag. 41) onde ele escreve sobra a características das ondas e seus efeitos, como o son e a luz. Reproduzo aqui parte desse capítulo em duas partes. A primeira, a seguir, relacionando as ondas aos sons. No próximo post eu completo com o relacionamento das ondas com a luz.

Foto: Blog Veliq Fil

Você está sentado na banheira, e a torneira está pingando. A cada segundo, vamos supor, um pingo cai na banheira. Gera uma pequena onda que se espalha ao redor, formando um belo círculo perfeito. Quando atinge os lados da banheira, é refletida de volta. A onda refletida é mais fraca, e, depois de uma ou mais reflexões, você não consegue perceber mais.

Novas ondas chegam à sua extremidade da banheira, cada uma gerada por outro pingo de água. O seu patinho de borracha balança para cima e para baixo sempre que nova frente de ondas passa por ele. É claro que a água é um pouco mais elevada na crista da onda em movimento, e mais baixa no pequeno declive entre as ondas, a depressão.

A "frequencia" das ondas é simplesmente quantas vezes as cristas passam pelo seu ponto de observação - nesse caso, uma onda a cada segundo. Como cada pingo forma uma onda, a frequência é igual à taxa de pingos. O "comprimento de onda" das ondas é simplesmente a distância entre as sucessivas cristas de ondas - nesse caso, talvez dez centímetros. Mas se uma onda passa a cada segundo, e elas têm uma distância de dez centímetros entre si, a velocidade das ondas é dez centímetros por segundo. Depois de pensar um pouco você conclui que a velocidade de uma onda é a frequencia vezes o comprimento de onda.

As ondas da banheira e as ondas do oceano são bidimensionais. Elas se espalham de um ponto de origem, formando círculos sobre a superfícia da água. As ondas sonoras, ao contrário, são tridimensionais, espalhando-se no ar em todas as direções a partir da fonte do som. Na crista da onda o ar é um pouco comprimido; na depressão, o ar é um pouco rarefeito. O seu ouvido detecta essas ondas. Quanto mais vezes elas chegam ao seu ouvido (mais elevada é a frequência), mais elevada é a altura do som que você ouve.

Os tons musicais são apenas uma questão de quantas vezes as ondas sonoras atingem seu ouvido. O dó central é o modo como descrevemos 263 ondas sonoras nos atingindo a cada segundo: é chamado de 263 hertz. (Uma oitava acima seria o dobro, 526 hertz, duas oitavas seria 1052 hertz, e assim por diante). Qual seria o comprimento de onda do dó central? Se as ondas sonoras fossem diretamente visíveis, qual seria a distância de crista a crista? Ao nível do mar o som viaja a 340 metros por segundo. Assim como na banheira, o comprimento de onda será a velocidade da onda dividida pela sua frequencia, isto é, cerca de 1,3 metro para o dócentral - aproximadamente a altura de um ser humano de 9 anos.

Mas o ouvido humano não é um detector perfeito de ondas sonoras. Há frequências (menos de vinte ondas a cada segundo) que são baixas demais para serem percebidas por nós, embora as baleias se comuniquem facilmente nesses tons baixos. Da mesma forma, há frequências (mais de 20 mil ondas a cada segundo) demasiado elevadas para os ouvido humanos detectarem, embora os cães não tenham dificuldade ( e respondam, quando chamados nessas frequencias por um apito. Existem campos sonoros - vamos dizer, 1 milhão de ondas por segundo - que são, e sempre serão, desconhecidos para a percepção humana direta. Os nossos órgãos dos sentidos, por mais maravilhosamente adaptados que sejam, têm limitações físicas fundamentais. 


domingo, 16 de outubro de 2011

Sacolas Plásticas - As Vilãs da Vez


Foto: Apremavi

Este é um assunto polêmico que se encontra resolvido (pelo menos na aparência). A partir do ano que vem está proibido a distribuição de sacolas plásticas nos supermercados em São Paulo. O motivo é ambiental, a lenta degradação do plástico no meio ambiente foi a justificativa para a elaboração dessa lei. Mas eu tenho um pé atrás em soluções desse tipo.

Para todo problema difícil existe uma solução fácil que está errada. E nesse caso me parece que essa lei foi feita mais para agradar a maioria das pessoas e produzir tema para o discurso ambiental nas próximas eleições.

Todo mundo quer diminuir o impacto ao meio ambiente, mas as decisões que afetam tanta gente deveriam ter mais estudo, o que não vi e provavelmente não vou ver. Esses estudos deveriam considerar toda a cadeia produtiva das sacolas plástica até sua final destinação, e comparar com outras alternativas, como sacolas de papel por exemplo.

Olhando somente a biodegradação a sacola de papel ganha longe. Mas já vi matérias dizendo que são necessário 30% menos água pra fazer duas sacolas de plástico do que para fazer uma de papel. Além de que a sacola de papel pesa mais e necessita de um maior número de caminhões para transportar a mesma quantidade de sacolas plásticas, ou seja, mais gasolina, pneus e etc.

O mais apareceu depois dessa Lei foram sacolas reutilizáveis sendo vendidas nos supermercados. Mas elas tem um tamanho limitado, não dá pra fazer aquela compra de carrinho cheio uma vez por mês usando só ela. Provavelmente eu vou ter que começar a comprar uma menor quantidade por vez, e ir mais vezes ao supermercado para poder usar a tal sacola reutilizável. Vou gastar mais gasolina, pneu, tempo....

Enfim, a conta é bem mais complexa do que se limitaram a relatar. Precisamos sim ter soluções para que essas sacolas não acabem dentro do estomago das tartarugas marinhas, mas não acredito em nada tão simples.

No entanto, calcular o quanto a mais as soluções alternativas encontradas pela população estarão impactando o meio ambiente é quase impossível. Então ficamos com a solução parcial que gere os números que os políticos podem usar. No caso, a pura e simples: quantidade de redução da produção de sacolas plásticas!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Steve Jobs - RIP

Steve Jobs foi um símbolo de tecnologia e inovação para a minha geração. A grande maioria dos usuários de tecnologia hoje já nasceu com ela pronta e não vai compreender o quanto ele revolucionou. Só quem usou fita cassete para gravar programa, sabia de cor os códigos de comando do DOS e sentiu o peso que tinha aquele monitor de fósforo verde sabe o que foram esses 25 anos.

Após a sua morte ele foi homenageado de várias formas. Fiz aqui um compilado das que achei mais interessantes.

Maçã sem o Steve


Maçã Triste

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Uma Consequência da Evolução

Não seria necessário existir fósseis para se provar que evoluimos de uma mesma linhagem. O nosso próprio DNA e as similaridades entre as espécies seriam suficientes. Em alguns casos o nosso corpo carrega até hoje alguns "erros" de projeto consequência da evolução, como é o caso do nervo laríngeo. Um nervo que sai da parte inferior do cérebro, vai até o torax e volta para a laringe, do lado do ponto de partida.

Se fôssemos fruto de um projeto consciente certamente esse nervo não daria uma volta dessas. Mas é facilmente explicado considerando a evolução natural das espécies. No vídeo o Prof. Richard Dawkins mostra a dissecação de uma girafa, que mesmo com um pescoço tão grande possui o mesmo nervo dando essa volta. Bem maior no caso dela!

domingo, 2 de outubro de 2011

Problema de Estatística Básica - Finalizado

Considero Estatística uma ciência difícil. É muito fácil encontrarmos conclusões diferentes baseados no mesmo conjunto de dados, dependendo de como se agrupa e de como é feita a pergunta.

Para demonstrar estou colocando um problema fácil mas já me fez pensar algumas horas. Digamos que você esteja em um show valendo um prêmio interesante e para ganhar precisa adivinhar onde está o Ás entre as 3 cartas que estão viradas para baixo.


Como exemplo considere que você tenha escolhido a primeira carta.


E como eu sou o apresentador do programa e sei onde está a carta correta, viro a face de uma das duas outras cartas que não foram escolhidas. Logicamente que viro uma carta que não é o Ás que você está procurando.


Depois eu faço a tal pergunta: Quer trocar de carta ou fica com essa mesmo que você escolheu primeiro?

O que você escolheria? Acha que existe alguma vantagem em trocar de carta? Será que tanto faz? Ou será que é uma "pegadinha" e trocar de escolha pode reduzir suas chances?


Resposta:
A grande maioria das pessoas acha que tanto faz trocarde carta porque ficaram somente duas cartas cobertas, e sendo assim a chance seria de 50% para qualquer escolha. Mas esse raciocínio não é correto neste caso.

Quando você escolheu a primeira carta as suas chances de acertar eram de 1/3, consequentemente tinha 2/3 de chances de errar. Essa proporção não mudou quando uma carta foi virada, você ainda ficou com 1/3 de chance de acertar.

Mas se você trocar de carta após uma estar aberta, você inverte as probabilidades e fica com 2/3 de chances de acertar, que é 2 vezes mais do que você teria se não mudasse de carta.

Se você estiver demorando a aceitar e estiver lendo o texto de novo, normal. Aconteceu comigo também.

sábado, 1 de outubro de 2011

Teoria: O que significa isso na Ciência

Uma das virtudes da ciência é a capacidade de permitir que ideias tidas como certas possam ser refutadas após a identificação de novos fatos. Por este motivo a ciência se utiliza de Teorias para representar o conjunto de leis e fatos observáveis. Se novos fatos forem descobertos as teorias são refeitas e é assim que ciência se desenvolve.

No entanto esse termo "Teoria" acaba sendo a principal arma para o leigo quando este quer por em dúvida algum consenso científico. Em geral ele vem acompanhado subjetivamente de uma incerteza nata, de alguma dúvida constante. Acredito que isso até venha a atrapalhar a divlgação da ciência na comunidade, já que a público em geral não dá muito crédito a uma simples "Teoria".

Em ciência a tal "Teoria" é o que agrega todo o conhecimento científica naquela área. Não deve em nehuma situação ser posta em dúvida, a não ser que existam novos fatos e se utilize do próprio método científica para propor uma nova teoria. Como é baseada em fatos, como tudo na ciência, não precisa depender da crença das pessoas para ser consierada correta.

Ninguém questiona ou desacredita a Teoria da Gravidade, porque todo mundo percebe que no seu dia a dia que a Terra atrai tudo para o seu centro. E pior que nesse caso o crédito é dado por motivo errado, porque o que as pessoas percebem é a atração dos corpos, que é descrita pela Lei da Gravidade e que possui uma equação universal que calcula a força de atração. A Teoria da Gravidade é muito mais complexa do que isso, tenta explicar o porque essa atração ocorre. Já foi desenvolvida por Newton e praticamente toda reescrita por Einstein, mas ela sempre vai ser uma Teoria.


Já a Teoria da Evolução não tem nenhuma demonstração imediata de nenhuma de suas leis. E por isso se dá menos crédito a essa Teoria em relação a outras. No caso da evolução nós estamos tentanto entender nossa história através do que encontramos do passado e de uma fotografia do que existe hoje. Todas as espécies de vida no planeta são evidências da evolução, mas não há como acelerar o tempo em outro planeta para poder ver a evolução acontecendo (exceto no filme Jurassic Park, mas enfim...). Por isso essa Teoria é menos "visual" do que outras e, consequentemente, mais difícil de ser compreendida.

Isso só poderá mudar com informação. Quando as pessoas ouvirem sobre uma Teoria científica devem entender que ela tem muito mais base do que aquele famoso "eu acho" que utilizamos com os amigos.

Mas devagar a gente chega lá!