sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cometa Ison desintegrado...Não foi dessa vez!!

O "Cometa do Século", que tinha possibilidade de ficar mais brilhante do que a Lua e poderia ser visto até de dia....não resistiu a proximidade do Sol e se desintegrou. Com isso foi também a esperança de compensar o fiasco do Cometa Haley. No final foi só mais outro que não deu pra ver.

Obviamente existem diversas fotos do Ison por aí, mas foram tiradas com lunetas. Se o tal cometa seria tão brilhante eu queria ver no formato "roots", do jeito que nossos ancestrais teriam visto, a olho nu.

Mas não foi dessa vez. E olha que eu acordei cedo várias vezes para tentar ver alguma coisa. Só que moro em São Paulo, e aqui deve ser o pior lugar do planeta para se observar o céu noturno. Se não é pela iluminação é pela fumaça, e também pelas nuvens espessas que ficaram a semana toda.

Para ter uma ideia de como aqui em São Paulo é ruim de observar o céu, quando aparece uma Lua Cheia que seja visível todo mundo tira foto e põe no Facebook.

Segue um vídeo da NASA mostrando como foi o encontro do Ison com o Sol. Dá até para ver um pouco do rastro que sobrou!!!





Atualização 02/12/2013 - Parece que uma parte dele passou...a NASA publicou outro video mais completo.

domingo, 17 de novembro de 2013

Bandeira do Brasil é a mais Científica do Mundo

Se você olha uma figura com vária bandeiras do mundo, vai ver que a nossa é particularmente diferente. Fica até fácil de encontrar no meio das outras. O motivo disso são suas cores e seu formato, que é bem característico.

O formato e as estrelas é o que mais se destaca em relação as outras bandeiras. O circulo da nossa bandeira representa o céu do Rio de Janeiro, as 08:30 h, do dia 15 de novembro de 1889, a data da Proclamação da República. Só que o formato das constelações estão invertidas.


Isso acontece porque a bandeira foi formada considerando que a abóbada celeste fosse fixa, e um observador externo estivesse vendo de um ponto muito além dessa abóbada celeste. Sabemos que não existe isso, acredito que os idealizadores também sabiam, mas só o fato de considerar as constelações presentes no céu e atribuir uma representatividade de um Estado a cada uma das estrelas, já é louvável. Quantas bandeiras precisaram de algum tipo de ciência para serem criadas?

A faixa branca da bandeira onde está escrito “Ordem e Progresso” significa a eclíptica, segundo seu próprio criador Teixeira Mendes, que é a faixa percorrida pela Terra ao redor do Sol.  Apesar de alguns astrônomos acharem mais fácil considerar essa faixa como sendo a zodiacal, que é a faixa por onde vemos passar o sol a partir de um ponto de observação da Terra. Nessa data a única capital acima do equador era Belém do Pará, e por isso a estrela do Estado do Pará é a única acima da faixa branca na bandeira. (Não é Brasília, como muitos  pensam!!!). 

Brasília é representada pela estrela menor, chamada de polaris australis, na parte mais baixa na bandeira. Mas ela foi escolhida porque é a única estrela que não se põe ao girar a abóbada celeste. Todas as outras estrelas giram ao redor dela, considerando um observador no Rio de Janeiro. Wikipédia tem uma matéria  bem completa a respeito.
 

Considerando que a nossa bandeira tem tanta ciência na sua criação, é de se esperar que o povo ao qual ela representa também tenha uma cultura científica super desenvolvida.... Será que pelo menos estamos no caminho?

domingo, 10 de novembro de 2013

Debate entre Deepak Chopra e Richard Dawkins

Um excelente debate ocorreu dia 09/11/13 promovido pelo site ciudadedelasideas.com entre Deepak Chopra e Richard Dawkins. Infelizmente ainda não tem legendas em português, mas assim que encontrar um link eu atualizo o post.

Deepak Chopra tem uma visão mística do mundo. Seus livros falam do relacionamento entre física quântica e religião, uma falácia que é fácil de fazer por ser um tema muito complexo. Richard Dawkins representa o extremo oposto. A ciência como uma ferramenta para entender o universo. Sem espiritualidade nenhuma envolvida.

Fica claro como Deepak adora a palavra "quantum". Usa para tudo. E Dawkins fica rebatendo ele sobre o mal uso do termo. Na minha opinião, o Deepak viaja tanto falando quanto nos seus textos. Sai do tema, junta assuntos nada a ver e usa palavras de física no meio de contextos totalmente errados. Dawkins em alguns momentos fica bem irritado!!! 

Em resumo, Deepak tem respostas para tudo, mesmo usando termos nada a ver para fazer metáforas impossíveis. Já Dawkins não tem medo de dizer que a ciência ainda não tem todas as respostas, mas quando elas vierem, serão bem embasadas cientificamente, e através de muito trabalho.



Só queria reproduzir aqui o último argumento de Richard Dawkins quando ele responde a questão sobre religião. Se ela é boa ou má para a humanidade:

"A questão não é sobre se um indivíduo deve ou não ser religioso ou bom ou mal. A questão é sobre a religião em si mesma. Eu penso que existem aspectos na religião que é ruim por si mesma. Eu penso que a fé cega, acreditar em coisas sem evidência, pode levar a praticar coisas ruins porque a religião, sua fé, dizem para você fazer. Muita pessoas que acreditavam que estavam fazendo o que era certo, fizeram várias atrocidades porque acreditavam que estavam fazendo pelo seu Deus. Portanto a fé, a fé cega, pode produzir estes maus efeitos.

Quanto a mim quanto cientista, eu costumo dizer que o que me incomoda mais na religião é que ela nos ensina a se satisfazer sem entender. Ensina a se satisfazer com pseudo explicações que na verdade não são explicações nenhuma. Coisas que soam bem como explicação mas na verdade não são. Apelam para a emoção mas de fato não explicam nada.

Eu penso que a religião nesse sentido pode ser inimiga da ciência, inimiga da verdade. Mas esta noite eu estava refletindo mais sobre o que é realmente o inimigo da verdade, o inimigo da ciência... que é o obscurantismo intencional, seja vindo da religião ou não."

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Unicamp Quase Promove um Evento Criacionista!

A notícia é velha mas o debate ainda é válido. Li na Istoé que recentemente um evento chamado Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, que seria feito na Unicamp, foi cancelado após vários cientistas se oporem ao evento. O cancelamento provocou diversas reclamações, basicamente se referindo ao cancelamento como discriminação de uma determinada corrente de pensamento. Também diziam que a universidade deve promover debates e não cancelá-los....

Vejam o quão sutil e perigoso são esses argumentos!! Ninguém, obviamente, é contra a discussão das ideias, mas na primeira impressão fica parecendo que a universidade está mesmo sendo discriminatória. Mas não é bem assim. Na verdade a Unicamp escapou de ser utilizada como escada em mais um evento religioso disfarçado de científico.

O nome "Ciência das Origens" é na verdade um nome pomposo para criacionismo. Os criacionistas usam o termo "Ciência" para obter maior credibilidade. Já comentei aqui outras vezes que todas as religiões e pseudociências anseiam pela credibilidade que só a ciência tem. Por isso tantos argumentos vazios começam com a frase "já foi provado cientificamente..." 

E chamar o criacionismo de "Ciência" de qualquer coisa já é um passo nesse sentido. Mas fazer um evento com esse tema dentro da Unicamp seria muito melhor, certo!!! Teria uma Universidade pública dando aval para esse assunto religioso. Seria mais um pézinho que a religião colocaria para dentro das universidades, se travestindo de ciência para ganhar credibilidade.


E quanto a discussão das ideias? Não seria interessante o debate? Com certeza!!! Mas de forma clara e fora da universidade. A universidade, e eu diria que até mesmos as escolas, são os lugares onde se ensinam conhecimentos científicos. Antes de chegar para os alunos, tudo já foi infinitamente estudado, testado e representa o que a ciência considera correto atualmente. Fora isso, discussões de ideias criacionistas por exemplo, devem ser feitas fora do ambiente escolar. O que não faltam são lugares para isso. Mas utilizar a universidade nada mais é do que uma forma de sequestrar a credibilidade da instituição.

Ainda bem que ainda existe uma categoria vigilante de cientistas expondo essa tática de infiltração nas universidades. Pena que são poucos, e tenho certeza de que muitos eventos desse tipo em universidades de menor renome, e consequentemente menor visibilidade, devem estar ocorrendo no Brasil.