quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ataques ao Charlie Hebdo: Como assim "Mas"?

Semana passada 12 pessoas morreram dentro da redação do jornal francês Charlie Hebdo por um ataque terrorista. Ao sair os assassinos gritaram que "O profeta foi vingado". Essa notícia tomou conta dos noticiários do mundo todo e não achava que tinha mais nada a comentar a respeito.

Até que comecei a ver os comentários de vários pessoas, amigos inclusive, que em resumo queriam dizer o seguinte: "Eu sou contra atos de terrorismo, mas o Charlie Hebdo não deveria ter feito charges tão agressivas."

No início achei que esse tipo de pensamento estava na flor da emoção e logo a razão tomaria a frente e as pessoas cairiam em si do quão perigoso esse pensamento. Mas não, hoje faz uma semana dos ataques e ainda vejo gente lamentando porque o jornal agiu com tanta irresponsabilidade!

Então....

Para começar... Eu ou totalmente contra ataques terrorista, assassinatos em geral. Sem "mas"... Essa frase, assim como o pensamento, para mim é isolada de qualquer condição. Não tem nenhum "mas", não deve ter nenhum "mas". 

Se você admite ou leva em consideração algum "mas" então você deve levar em considerações diversos outros "mas" em diversas outras situações. Por exemplo: "Sou totalmente contra a briga de torcidas MAS é difícil aguentar provocação quando o seu time está sendo rebaixado depois de uma goleada do principal rival." Outro exemplo: "Sou totalmente contra o estupro MAS a ela tinha que usar roupas tão provocantes?".

Se você é contra alguma coisa mas permite um "mas", no fundo você não é totalmente contra. 

Para mim isso é errado e o risco desse pensamento precisa ser alertado. O risco de acabar transferindo a culpa do crime para a vítima e transformar os assassinos em vítimas da sociedade.

Os jornalista morreram porque faziam caricaturas. E eles devem poder fazer as caricaturas que quiserem, assim como eu posso e você pode também. Religiosos podem dizer que ateus vão para o inferno e passar a eternidade em castigo. Isso é bem ofensivo para ateus, não é? Mas eles podem dizer oque quiserem. Isso é a base de um Estado livre e democrático. 

Se nós perdermos esse direito, ou deixar que nos tirem isso, já é um primeiro passo para uma sociedade totalitária, onde alguns vão dizer o que é certo ou errado para nós lermos, assistirmos ou aprendermos.

Não devemos tolerar nem aceitar ideologias totalitárias que pensam que podem dizer o que é certo ou errado baseado na cultura deles. Se para eles é correto matar porque ficaram ofendidos com desenhos, ou qualquer outra forma de expressão, então essa ideologia não é para mim e acho isso muito, mas muito errado. Sem nenhum MAS.....