Pensamentos


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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Credibilidade do Método Científico sendo Mal Utilizado

Sempre que se quer dar credibilidade a uma ideia, um produto, ou a qualquer outra coisa, é muito comum associá-la de alguma forma a uma aprovação científica. Por isso que a frases que começam com "já foi provado cientificamente" são tão comuns na nossa sociedade. É como se a Ciência fosse a única forma de conferir se o que se diz é verdade. Como se qualquer assunto que tivesse essa aprovação encerrasse a discussão e acabasse com o eventual ceticismo do espectador.

Isso acontece porque realmente a Ciência tem trazido resultados visíveis para toda a sociedade e possui sim essa credibilidade. Depois de que o método científico foi estabelecido ele tem sido utilizado para estudar o nosso meio, e com isso tirar conclusões que, muitas vezes, vão de encontro ao senso comum. Esse método é suficiente eficaz para conseguirmos entender o que realmente acontece na natureza, excluindo nossas crenças, subjetividades, e toda espécie de interferência da natural psicologia humana. Sendo assim, quando os cientista concluem alguma coisa baseado no método científico, quer dizer que fatos já foram estudados, experiências foram feitas, resultados foram obtidos, outros grupos de cientistas repetiram as experiências e obtiveram os mesmo resultados, trabalhos foram publicados em revistas especializadas e expostos a críticas e questionamentos de outros cientistas, e etc... De forma que as conclusões chegam baseadas em muito estudo, testes, dados, e tentativas de refutação da teoria. Se uma teoria resite a tudo isso, pode se dizer que está provado cientificamente. Pelo menos até um fato novo surgir e começar tudo de novo.

Mas em geral é muito comum você ouvir/ler essa frase em todo lugar sempre associado a algum tema que certamente não teve nenhuma base científica. Eu encontro isso todo dia e acho esse procedimento muito de má fé. Principalmente porque a população em geral não está apta a entender todo o processo científico e o trabalho imenso que é necessário fazer ciência, e vai estar desarmado contra "provas científicas" que são na verdade fraudes bem escritas e melhor ainda divulgadas. 

Já tem um tempo que estou atento sobre essa prática e começo a fazer perguntas logo que percebo uma tentativa de usar a Ciência como ponto a favor de um argumento. Seguem algumas como exemplo:
1 - Provado cientificamente? Onde foi provado? Qual trabalho foi publicado?
2 - Ah você tem um trabalho publicado!!! Em qual revista especializada? (Muitas vezes o trabalho está publicado na revista interna da empresa que fabrica o produto!!!)
3 - Qual o método utilizado nos experimentos e qual o cálculo para suas conclusões?

Dá para ir muito mais longe, mas se você fizer somente 3 perguntas, que podem ser outras também, antes de "comprar" alguma ideia ou produto milagroso, já vai se surpreender com a quantidade de vezes que vai identificar fraudes ou pessoas sem base para o que estão falando.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Redução da Maioridade Penal: Porque sou a favor...

Imagem: Portal 25 Horas
Sinceramente achei que este assunto já estivesse resolvido só esperando o nosso congresso votar a pauta e reduzir essa maioridade para 16 anos. Estou surpreso com a quantidade de manifestação contra essa medida, com pessoas falando que essa solução é muito simplista para um problema muito complexo. O interessante é que, considerando as devidas proporções, também é simplista instituir cotas raciais nas universidades como parte da solução do racismo. Mas a medida está implantada.

Antes de dar a minha opinião, só queria situar 2 casos graves que me lembro bem:
Caso 1: Assaltante de 17 anos rouba o celular de um garoto em frente a sua casa. Depoisde pegar o celular dispara um tiro na cabeça do garoto, que morreu imediatamente.
Caso 2: Jovens em uma festa se aproveitam de uma jovem que está bêbada e a estupram. Tudo é filmado por um deles que coloca o vídeo no internet.

Famílias foram destruídas, vidas foram tiradas, para quem ficou vivo o desastre psicológico pode ser irreparável. Mas nos dois casos, como os criminosos são menores, isto é, legalmente menores, eles não foram presos e cumpriram no máximo um tempo na Fundação CASA.

Não existe limite de tempo de cadeia que consiga punir suficientemente uma pessoa que tirou deliberadamente a vida de outra. Para a família da vítima a punição será eterna, mesmo que o condenado cumpra 30 anos de cadeia, ainda está numa posição melhor do que a vítima e sua família. Agora isso é muito agravado quando o criminoso é menor de idade e nem fica preso. O sentimento de impunidade e injustiça é enorme e afeta toda a sociedade. Isso não pode ser aceitável.

A redução da maioridade penal sempre existe porque não há uma definição clara de quando uma pessoa pode responder pelos seus atos, considerando o desenvolvimento natural do ser humano. Uma pessoa não dorme adolescente e acorda adulto no dia seguinte. Isso é um processo. Mas como cada um tem um tempo e um desenvolvimento diferente, e legalmente é necessário um marco para isso, se determinou que 18 anos é o limite legal para se considerar uma pessoa adulta e total responsável pelos seus atos. Só que sempre que se determina uma linha de corte para algo que é um processo existem problemas. E essa caso não é diferente.

Na minha opinião, a questão não é reduzir a maioridade penal ou não, mas seria separar os crimes em que essa maioridade deve ser considerada. Nos exemplos acima, de assassinatos e estupros, os criminosos não deveriam recorrer a "saída" da maioridade para se safar. Mesmo um menor, com 14 ou 15 anos, que pega uma arma e atira em alguém deve responder totalmente pelo seu crime, independente de sua idade. O mesmo acontece para o grupo de jovens que estupraram a moça, eles sabiam exatamente o que estavam fazendo, não sendo possível imputar a nenhuma outra pessoa a responsabilidade pelos seus atos.  Tem alguém ligando para que idade eles tinham? Será que isso é atenuante para o que eles fizeram? 

Deveríamos estar discutindo para quais tipos de crime a a maioridade penal seria considerada, e para quais crimes essa maioridade não faria a diferença. Crimes contra a vida, além dos outros que são considerados hediondos, não deveriam considerar a idade do criminoso. A questão seria somente saber se ele agiu intencionalmente ou não. O que na nossa justiça se diferencia pelo crime doloso ou culposo, e já tem regras definidas para qualificar isso com as respectivas penas a serem aplicadas.

Acredito que se não existisse essa diferença entre maiores e menores para certos crimes. Muitos pensariam um segundo antes de puxar o gatilho. Porque hoje os "menores" nem pensam...

De qualquer maneira, alguma coisa precisa ser feita. Como já comentei, acredito que o ideal seria separa os tipos de crimes entre os que poderiam ou não considerar a maioridade penal. Mas como essa discussão nem começou e nem sei se existe outra pessoa que pense como eu, e portanto isso pode demorar muito ou sequer discutido. Nesse cenário, eu considero a redução da maioridade de forma geral como uma ação paliativa necessária para tentar melhorar o que temos hoje. Já seria melhor do que nada. Uma medida simplista para um problema complexo, como tantas outras medidas simplistas que tomamos para outros problemas. Melhor do que não fazer nada e esperar o problema complexo se resolver!!!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Porque sou contra o desconto de 50% para estudantes!

Nada contra a incentivar o acesso a cultura para quem é estudantes. Mas incentivar, e não dificultar para todos as outras pessoas que não são estudantes para parecer que o estudante tem vantagem.

Eu costumo dizer que as “reais” regras do jogo são indutoras de comportamento. Neste caso específico o desconto de 50% causa uma distorção em todo o mercado da cultura. Isso porque no final, não tem como o “governo” dar desconto em algo que ele nem tem como sabe quanto custou. E obriga o empresário do setor a dar esse desconto de 50% para os estudantes.

Mas não precisa ser um gênio para saber que o empresário não vai perder dinheiro de jeito nenhum. E para poder cumprir a lei, ele simplesmente aumenta em 100% o valor nominal dos ingressos, assim quando ele der o desconto de 50% vai receber o que ele tinha calculado no início.

Só que aumentando em 100% o valor dos ingressos, os que não são estudantes acabam indo em metade dos eventos que poderiam ir. E quando vão, o empresário consegue ter ainda mais lucro com o ingresso deles. Ou seja, todo mundo perde, só quem empata são os estudantes.

Vamos analisar a perspectiva de cada personagem nessa história:

Empresário: Se por o valor justo, a venda para os estudantes vai reduzir drasticamente o seu lucro. Então para viabilizar o negócio ele duplicar o valor do ingresso e garante, pelo menos, o que esperva de lucro.

Estudantes: Acha que é bom pagar metade do preço, mas na verdade ele é o único que está pagando o preço correto.

Não estudantes: Se quiser ir em evento cultural tem que pagar caro. Toda a sociedade que não é estudante acaba pagando o dobro por causa dessa lei. E essa mesma lei induz as pessoas a agirem de má fé. O desconto de 50% é tão grande que alguns acham mais viável falsificar uma matrícula em colégio para poder ter esse desconto. Isso porque ele acha que o risco é baixo pois nunca viu, ou ouviu falar, de ninguém que tenha se dado mal fazendo isso.

Artistas: Vê seu público reduzido. Afinal se o ingresso fosse mais barato mais pessoas iriam assisti-lo.

Governo: “Paga de gatinho” dizendo que está favorecendo aos estudantes, mas na verdade está aumentando o lucro médio dos empresários do setor.

Enfim, a única forma de mudar isso seria reduzir a porcentagem desse desconto. Só no Brasil essa porcentagem é tão alta. Em geral o desconto varia entre 10 e 15%. O que já ajuda como incentivo, sem criar um “prêmio” tão grande para a falsificação de matrículas e acréscimo exagerado dos preços dos ingressos.

Mas para isso acontecer teria que ter algum deputado para enviar um projeto de lei sobre esse tema que, certamente, seria considerado impopular na primeira leitura. Ou seja, acho que vamos continuar um bom tempo pagando caro!!!

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Atualização de 26/04/2013

Agora o nosso Congresso está querendo aprovar uma lei que instituirá cotas máximas para a venda de ingressos com meia entrada. O objetivo é justamente tentar fazer os preços dos ingressos voltarem a patamares mais reais.

Com isso será necessário criar uma forma de gerenciar se essas cotas serão atendidas, o que não é fácil e abre margem aos empresários continuarem cobrando caro e dizendo que a cota de ingresso de meia entrada foi vendida muito rápido...e lógico vai gerar muita dúvida quanto a eficácia da lei. 

Reafirmo minha opinião...ao invés de criarem leis de cotas para tentarem abaixar os preços, devia ser reduzido esse desconto para no máximo 15%, sem cota máxima para a venda, como já fazem os europeus. 

Os preços reduziriam para todos e nem geraria o custo de gerenciamento para verificar se as cotas de meia entrada estão sendo atendidas.