Pensamentos


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quarta-feira, 17 de abril de 2013

O Dragão na Minha Garagem - por Carl Sagan

Esse texto é o início do capítulo 10 do livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan. Ele mostra como é fácil refutar uma afirmação de que existe um dragão invisível na garagem. Mas também nos faz pensar em quantas outras afirmações desse tipo são consideradas reais na nossa sociedade. 

Sutil e brilhante...segue o texto:

_____________



- Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem.

Suponhamos (estou sugerindo uma abordagem de terapia de grupo proposta pelo psicólogo Richard Franklin) que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você irá querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que oportunidade!

- Mostre-me - você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão.

- Onde está o dragão? - você pergunta.

- Oh, está ali - respondo, acenando vagamente. - Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível.

Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão.

- Boa idéia - digo eu -, mas esse dragão flutua no ar.

Então você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível.

- Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor.

Você quer borrifar o dragão com tinta para torná-lo visÌvel.

- Boa idéia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir.

E assim por diante. Eu me oponho a todo teste físico que você propõe com uma explicação especial de por que não vai funcionar.

Ora, qual é a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo, flutuante, que cospe fogo atérmico, e um dragão inexistente? Se não há como refutar a minha afirmação, se nenhum experimento concebível vale contra ela, o que significa dizer que o meu dragão existe? A sua incapacidade de invalidar a minha hipótese não é absolutamente a mesma coisa que provar a veracidade dela. Alegações que não podem ser testadas, afirmações imunes a refutações não possuem caráter verídico, seja qual for o valor que possam ter por nos inspirar ou estimular nosso sentimento de admiração. O que estou pedindo a você é tão-somente que, em face da ausência de evidências, acredite na minha palavra.

A única coisa que você realmente descobriu com a minha insistência de que há um dragão na minha garagem é que algo estranho está se passando na minha mente. Você se perguntaria, já que nenhum teste físico se aplica, o que me fez acreditar nisso. A possibilidade de que foi sonho ou alucinação passaria certamente pela sua cabeça. Mas, nesse caso, por que eu levo a história tão a sério? Talvez eu precise de ajuda. Pelo menos, talvez eu tenha subestimado seriamente a falibilidade humana.

Apesar de nenhum dos testes ter funcionado, imagine que você queira ser escrupulosamente liberal. Você não rejeita de imediato a noção de que há um dragão que cospe fogo na minha garagem. Apenas deixa a idéia cozinhando em banho-maria. As evidências presentes são fortemente contrárias a ela, mas, se surgirem novos dados, você está pronto a examiná-los para ver se são convincentes. Decerto não é correto da minha parte ficar ofendido por não acreditarem em mim; ou criticá-lo por ser chato e sem imaginação - só porque você apresentou o veredicto escocês de "não comprovado".

Imagine que as coisas tivessem acontecido de outra maneira. O dragão é invisível, certo, mas aparecem pegadas na farinha enquanto você observa. O seu detector infravermelho lê dados fora da escala. A tinta borrifada revela um espinhaço denteado oscilando à sua frente. Por mais cético que você pudesse ser a respeito da existência dos dragıes - ainda mais dragões invisíveis -, teria de reconhecer que existe alguma coisa no ar, e que de forma preliminar ela é compatível com um dragão invisível que cospe fogo pelas ventas.

Agora outro roteiro: vamos supor que não seja apenas eu. Vamos supor que vários conhecidos seus, inclusive pessoas que você tem certeza de que não se conhecem, lhe dizem que há dragões em suas garagens - mas, em todos os casos, a evidência é enlouquecedoramente impalpável. Todos nós admitimos nossa perturbação quando ficamos tomados por uma convicção tão estranha e tão mal sustentada pela evidência física. Nenhum de nós é lunático. Especulamos sobre o que isso significaria, caso dragões invisíveis estivessem realmente se escondendo nas garagens em todo o mundo, e nós, humanos, só agora estivéssemos percebendo. Eu gostaria que não fosse verdade, acredite. Mas talvez todos aqueles antigos mitos europeus e chineses sobre dragões não fossem mitos, afinal...

Motivo de satisfação, algumas pegadas compatíveis com o tamanho de um dragão são agora noticiadas. Mas elas nunca surgem quando um cético está observando. Outra explicação se apresenta: sob exame cuidadoso, parece claro que podem ter sido simuladas. Outro crente nos dragões aparece com um dedo queimado e atribui a queimadura a uma rara manifestação física do sopro ardente do animal. Porém, mais uma vez, existem outras possibilidades. Sabemos que há várias maneiras de queimar os dedos além do sopro dos dragões invisíveis. Essa "evidência" - por mais importante que seja para os defensores da existência do dragão - está longe de ser convincente. De novo, a única abordagem sensata é rejeitar em princípio a hipótese do dragão, manter-se receptivo a futuros dados físicos e perguntar-se qual poderia ser a razão para tantas pessoas aparentemente normais e sensatas partilharem a mesma delusão estranha.

domingo, 12 de agosto de 2012

Pálido Ponto Azul - narrado por Guilherme Briggs

Para quem não conhece, o texto conhecido como Pálido Ponto Azul foi feito pelo astrônomo Carl Sagan em cima de uma foto do planeta Terra tirada pela Voyager 1 quando ela já tinha passado a órbita de Saturno. É um texto sensacional de pura filosofia, afinal Carl Sagan sabia como se comunicar com o público. Quem quiser conhecer o texto original na voz do próprio pode assitir o vídeo abaixo.



Mas novidade que eu queria mostrar é esse mesmo texto sendo narrado em português pelo Guilherme Briggs. Para quem não o conhece, ele é um dublador profissional e tem feito várias participações no podcast do Jovem Nerd. Ele também montou um vídeo onde acrescentou a narração. Não poderia ter uma pessoa melhor para narrar esse texto em português.
 
 

sábado, 22 de outubro de 2011

Carl Sagan - Ondas, Sons e a Luz! - Parte 2

No primeiro post desse assunto reproduzi parte do texto onde Carl Sagan relaciona as ondas com os sons. Agora continuando o texto para a correlação com a luz. Recomendo a leitura completa do capítulo que é muito bom!

continuação....
Em muitos contextos, a luz se comporta como uma onda. Por exemplo, imaginem a luz que passa por duas fendas paralelas num quarto escurecido. Que imagem ela projeta numa tela atrás das fendas? Resposta: a imagem das fendas - mais exatamente, uma série de imagens paralelas brilhantes e escuras das fendas - um "padrão de interferência". Em vez de se deslocar como um projétil em linha reta, as ondas se espalham a partir das duas fendas em vários âmgulos. Onde crista incide sobre crista, temos uma imagem brilhante da fenda: interferência "construtiva"; e onde crista incide sobre depressão, temos a escuridão: interferência "destrutiva". Esse é o comportamento carcterísticos de uma onda. Você pode observar que a mesma coisa acontece com as ondas de água e dois buracos cortados ao nível da superfície nas estacas de um píer numa praia.


Entretanto, a luz também se comporta como uma corrente de peuquenos projéteis, chamados fótons. É assim que funciona uma célula fotoelétrica comum (numa máquina fotográfica, por exemplo, ou numa calculadora fotoelétrica). Cada fóton que chega ejeta um elétron de uma superfície sensível; muitos fótons geram muitos elétrons, um fluxo de corrente elétrica. Como a luz pode ser simultâneamente uma onde e uma partícula? Esse dualismo onda-partícula nos lembra mais uma vez um fato humilhante fundamental: a natureza nem sempre se ajusta às nossas predisposiçõese preferências, ao que consideramos confortável e fácil de compreender.

Ainda assim, para a maioria dos fins, a luz é semelhante ao som. As ondas luminosas são tridimensionais, têm uma frequencia, um comprimento de onda e uma velocidade (a velocidade da luz). Mas, espantosamente, elas não requerem um meio, como a água ou o ar, para se propagar. Recebemos luz do Sol e das estrelas distantes, mesmo que o espaço intermediário seja um vácuo quase perfeito.

Para a luz visível comum - o tipo a que nossos olhos são sensíveis - a frequencia é muito elevada, cerca de 600 trilhões (6 x 10^4) de ondas que atingem nossos globos oculares a cada segundo. Como a velocidade da luz é de 30 bilhões (3 x 10^10) de centímetros por segundo (186 mil milhas por segundo), o comprimento de onda da luz visíel é cerca de 30 bilhões dividido por 600 trilhões, ou 0,00005 (0,5 x 10^-4) centímetros - muito pequeno para ser vistas por nossos olhos, se fosse possível que as próprias ondas fossem iluminadas.

Assim como os humanos percebem frequencias diferentes de som como tons musicais diferentes, frequencias diferentes de luz são percebidas como cores diferentes. A luz vermelha tem uma frequencia de cerca de 460 trilhões (4,6 x 10^12) de ondas por segundo; a luz violeta, de aproximadamente 710 trilhões (7,1 x 10^12) de ondas por segundo. Entre elas estão as cores familiares do arco-íris. Cada cor corresponde a uma frequencia.

Assim como há sons altos demais e baixos demais para o ouvido humano, há frequencias de luz, ou cores, fora do alcance de nossa visão. Elas se estendem a frequencias muito mais elevadas ( cerca de 1 bilhão de bilhões - 10^18 - de ondas por segundo para os raios gama) e a muito baixas ( menos de uma onda por segundo para ondas de rádio longas). Passando pelo espectro de luz, das altas para as baixas frequencias, estão largas faixas chamadas raios gama, raios X, luz ultravioleta, luz visível, luz infravermelha e ondas de rádio. São todas ondas que viajam pelo vácuo. Cada um é um tipo de tão legítimo de luz quanto a luz visível.



Os seres vivos foram inventivos no uso que fizeram da cor - para absorver a luz do Sol e, por meio da fotossíntese, produzir alimentos do ar e da água; para lembrar às mães pássaros onde ficam as goelas de seus filhotes; para despertar o interesse de um parceiro; ára atrair um inseto polinizador; para se camuflar e se disfarçar; e, pelo menos entre os humanos, pelo prazer da beleza. Mas tudo isso só foi possível graças à física das estrelas, à química do ar e ao mecanismo elegante do processo evolucionário, que nos levou a uma harmonia tão magnífica com nosso ambiente físico.

E quando estudamos outros mundos e examinamos a composição químimca de suas atmosferas ou superfícies - quando lutamos para compreender por que a névoa superior da lua de Saturno, Titã, é marrom e o terreno rugoso da lua de Netuno, Tritão, é rosa - estamos nos baseando nas propriedades das ondas de luz, que não são muito diferentes das ondas que se espalham na banheira.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Carl Sagan - Ondas, Sons e a Luz! - Parte 1

No livro Bilhões e Bilhões de Carl Sagan tem um capítulo chamado "O Olhar de Deus e a Torneiraque Pinga" (pag. 41) onde ele escreve sobra a características das ondas e seus efeitos, como o son e a luz. Reproduzo aqui parte desse capítulo em duas partes. A primeira, a seguir, relacionando as ondas aos sons. No próximo post eu completo com o relacionamento das ondas com a luz.

Foto: Blog Veliq Fil

Você está sentado na banheira, e a torneira está pingando. A cada segundo, vamos supor, um pingo cai na banheira. Gera uma pequena onda que se espalha ao redor, formando um belo círculo perfeito. Quando atinge os lados da banheira, é refletida de volta. A onda refletida é mais fraca, e, depois de uma ou mais reflexões, você não consegue perceber mais.

Novas ondas chegam à sua extremidade da banheira, cada uma gerada por outro pingo de água. O seu patinho de borracha balança para cima e para baixo sempre que nova frente de ondas passa por ele. É claro que a água é um pouco mais elevada na crista da onda em movimento, e mais baixa no pequeno declive entre as ondas, a depressão.

A "frequencia" das ondas é simplesmente quantas vezes as cristas passam pelo seu ponto de observação - nesse caso, uma onda a cada segundo. Como cada pingo forma uma onda, a frequência é igual à taxa de pingos. O "comprimento de onda" das ondas é simplesmente a distância entre as sucessivas cristas de ondas - nesse caso, talvez dez centímetros. Mas se uma onda passa a cada segundo, e elas têm uma distância de dez centímetros entre si, a velocidade das ondas é dez centímetros por segundo. Depois de pensar um pouco você conclui que a velocidade de uma onda é a frequencia vezes o comprimento de onda.

As ondas da banheira e as ondas do oceano são bidimensionais. Elas se espalham de um ponto de origem, formando círculos sobre a superfícia da água. As ondas sonoras, ao contrário, são tridimensionais, espalhando-se no ar em todas as direções a partir da fonte do som. Na crista da onda o ar é um pouco comprimido; na depressão, o ar é um pouco rarefeito. O seu ouvido detecta essas ondas. Quanto mais vezes elas chegam ao seu ouvido (mais elevada é a frequência), mais elevada é a altura do som que você ouve.

Os tons musicais são apenas uma questão de quantas vezes as ondas sonoras atingem seu ouvido. O dó central é o modo como descrevemos 263 ondas sonoras nos atingindo a cada segundo: é chamado de 263 hertz. (Uma oitava acima seria o dobro, 526 hertz, duas oitavas seria 1052 hertz, e assim por diante). Qual seria o comprimento de onda do dó central? Se as ondas sonoras fossem diretamente visíveis, qual seria a distância de crista a crista? Ao nível do mar o som viaja a 340 metros por segundo. Assim como na banheira, o comprimento de onda será a velocidade da onda dividida pela sua frequencia, isto é, cerca de 1,3 metro para o dócentral - aproximadamente a altura de um ser humano de 9 anos.

Mas o ouvido humano não é um detector perfeito de ondas sonoras. Há frequências (menos de vinte ondas a cada segundo) que são baixas demais para serem percebidas por nós, embora as baleias se comuniquem facilmente nesses tons baixos. Da mesma forma, há frequências (mais de 20 mil ondas a cada segundo) demasiado elevadas para os ouvido humanos detectarem, embora os cães não tenham dificuldade ( e respondam, quando chamados nessas frequencias por um apito. Existem campos sonoros - vamos dizer, 1 milhão de ondas por segundo - que são, e sempre serão, desconhecidos para a percepção humana direta. Os nossos órgãos dos sentidos, por mais maravilhosamente adaptados que sejam, têm limitações físicas fundamentais. 


domingo, 11 de setembro de 2011

Pálido Ponto Azul - by Carl Sagan

Considero Carl Sagan o melhor divulgador de ciência da minha geração. Seus textos tem uma qualidade e profundidade impressionante. O texto desse filme está no livro de mesmo nome, Pálido Ponto Azul, e mais do que ciência, é pura arte!


Sempre tem alguém que pega esse texto e cria um filme novo. No link abaixo tem mais um exemplo

sábado, 9 de abril de 2011

Carl Sagan e o Kit para detectar falácias e fraudes

Em 1996 Carl Sagan lançou um livro espetacular: “O Mundo Assombrado pelos Demônios – A Ciência vista como uma Vela no Escuro”.
Dentre vários assuntos nesse livro ele descreve um kit de ferramentas para o pensamento cético, que se fosse mais utilizado, a sociedade seria muito menos propensa a cair em erros de julgamento.
Segue a transcrição deste kit completo. Quem quiser olhar no livro está na página 208.

1 – Sempre que possível deve haver confirmação independente dos “fatos”.

2 – Devemos estimular uma debate substantivo sobre as evidências, do qual participarão todos os partidários de todos os pontos de vista.

3 – Os argumentos de autoridade tem pouca importância – as “autoridades” cometeram erros no passado. Voltarão a cometê-los no futuro. Uma forma melhor de expressar essa idéia é talvez dizer que na ciência não existem autoridades, quando muito, há especialistas.

4 – Devemos considerar mais de uma hipótese. Se alguma coisa deve ser explicada, é preciso pensar em todas as maneiras diferentes pelas quais poderia ser explicada. Depois devemos pensar nos testes que poderiam servir para invalidar sistematicamente cada uma das alternativas. O que sobreviver, a hipótese que resistir a todas as refutações nessa seleção darwiniana entre as “múltiplas hipóteses eficazes”, tem uma chance muito melhor de ser a resposta correta do que se tivéssemos simplesmente adotado a primeira idéia que prendeu nossa imaginação.

5 – Devemos tentar não ficar demasiado ligados a uma hipótese, só por ser a nossa. É apenas uma estação intermediária na busca do conhecimento. Devemos nos perguntar por que a idéia nos agrada. Devemos compará-la imparcialmente com as alternativas. Devemos verificar se é possível encontrar razões para rejeitá-la. Se não, outros o farão.

6 – Devemos quantificar. Se o que estiver sendo explicado é passível de medição, de ser relacionado a alguma quantidade numérica, seremos muito mais capazes de discriminar entre as hipóteses concorrentes. O que é vago e qualitativo é suscetível de muitas explicações. Há certamente verdades a serem buscadas nas muitas questões qualitativas que somos obrigados a enfrentar, mas encontrá-las é mais desafiador.

7 – Se há uma cadeia de argumentos, todos os elos na cadeia devem funcionar (inclusive a premissa) – e não apenas a maioria deles.

8 – A Navalha de Occam. Essa maneira prática e conveniente de proceder nos incita a escolher a mais simples dentre duas hipóteses que explicam os dados com igual eficiência.

9 – Devemos sempre perguntar se a hipótese pode ser, pelo menos em princípio, falseada. As proposições que não podem ser testadas ou falseadas não valem grande coisa. Considere-se a idéia grandiosa de que o nosso Universo e tudo que nele existe é apenas uma partícula elementar – um elétron, por exemplo – num Cosmo muito maior. Mas, se nunca obtemos informações de fora de nosso Universo, essa idéia não se torna impossível de ser refutada? Devemos poder verificar as afirmativas. Os céticos inveterados devem ter a oportunidade de seguir o nosso raciocínio, copiar os nosso experimentos e ver se chegam aos mesmos resultados.