Pensamentos


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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Livro: A Colher que Desaparece

Na boa, esse título é muito ruim!!! Mas o livro é bem interessante!! 

É um livro de divulgação científica, que como tantos outros faz uma série de relatos de como a ciência foi se desenvolvendo ao longo dos anos em diversas áreas. O diferencial desse livro é que ele utiliza a tabela periódica dos elementos como base para esses relatos.

Ao passar pelos elementos da tabela, o autor vai descrevendo como foi a descoberta dele e os benefícios que essas descoberta trouxe para a sociedade. A tabela periódica dos elementos é a base de tudo no universo e por isso a busca dos cientistas dos elementos acabou impactando em todas as áreas da ciência, não só na química. 

E como não deveria ser diferentes, o livro aborda bastante a biografia dos cientistas que ajudaram a completar a tabela periódica. Incluindo casos de mulheres cientistas como Marie Curie, que tiveram que superar o preconceito na época para desenvolver ciência de ponta. Marie Curie, por exemplo, foi a única laureada Nobel em Química e Física da história. 

Outros casos chamam atenção como a perseguição dos cientistas pelos nazista e como eles fizeram para sair da Alemanha nesse período para não deixarem de trabalhar. Mas a Alemanha ainda conseguiu manter alguns nomes de peso trabalhando com eles, o que acabou gerando uma corrida contra os Estados Unidos para desenvolver primeiro a fissão nuclear. O resultado, infelizmente, todos nós já sabemos. Infelizmente não pelo desenvolvimento da técnica, mas do uso que se fez dela!

O que mais chama a tenção nesse livro é que o desenvolvimento cientifico depende muito das personalidades certas envolvidas num ambiente certo. Quando essa condição é atendida o progresso é visível. Por isso que países desenvolvidos tentam o máximo possível manter os melhores cientistas trabalhando em seu território, não importando de onde eles vieram. 

Novamente parafraseando a fissão nuclear... depois de uma certa massa crítica formada o desenvolvimento científico se acelera. 

Segue link da Saraiva para o e-book.
No Submarino tem o livro físico.
Versão para Kindle na Amazon.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Livro: Os Botões de Napoleão

Você certamente já ouviu de alguém que um determinado produto não era bom de se comer porque ele tinha "muita química"!!! Certamente estavam se referindo a agrotóxicos e conservantes que são aplicados aos alimentos para que os mesmo consigam chegar até a mesa do consumidor final. 

Mas você já parou para pensar como seria a nossa sociedade se não fosse a tal "química"? Não ia precisar muito tempo para entender que simplesmente não haveria sociedade moderna. Não existiria sem refrigeração, alimentos duráveis, analgésicos, plásticos, e etc. Produtos que são normais para nós hoje em dia, mas que só puderam ser criados com o desenvolvimento da química.

Esse livro conta um pouco dessa história da humanidade, focando em pontos onde a sociedade precisava de uma solução para algum problema, e que foi encontrado com a química. Os autores se basearam em 17 moléculas para contar essa história. Um químico certamente irá achar esse número muito pequeno, mas para um livro de divulgação científica eu acho que conseguiram o objetivo.

Apesar de usar bastante linguagem química, incluindo descrições de reações, o livro não é difícil de ler. Muitas pessoas tem aversão quando houve o palavra "química". Talvez por isso que essa palavra não aparece no título!!! Mas para não deixar o livro com muita resistência inicial, o autor começa com uma espécie de tutorial para que pessoas que não são da área possam entender sem muitas dificuldades. 

O texto não é difícil, mas também não é tecnicamente fraco. O autor se aprofunda no contexto histórico, acompanhando depois das propriedades das moléculas e algumas vezes das reações químicas necessárias para sua formação. Ou seja, apesar de não ser necessário ser da área, os químicos vão apreciar bem mais porque os assuntos são tratados com uma complexidade que lhes é habitual. 

Se interessar, segue link da Saraiva e do Submarino

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Tem muita "Química" nos alimentos atualmente?

Ilustração: Informativo CRQ-IV

Na verdade sempre teve muita química nos alimentos. (reforço no ponto final)

Todos os compostos orgânicos que compõem os alimentos são químicos, portanto o que nunca faltou é química nos alimentos!

Mas todos nós sabemos que a palavra "química" está carregada pejorativamente com um entendimento de algo ruim ao organismo, e que é adicionado aos alimentos de forma irresponsável. Mas na verdade não é assim que acontece.

Primeiro é importante deixar claro que a nossa sociedade moderna não seria viável se não fosse o desenvolvimento da química para conservação de alimentos. Com certeza se adiciona compostos químicos para aumentar a validade e dar mais resistência aos alimentos, mas para isso existem normas internacionais de segurança que regulam a quantidade e a qualidade do que pode ou não ser adicionado.

Mas para explicar melhor eu recomendo um excelente artigo publicado neste mês na revista periódica do Conselho Regional de Química IV Região - Informativo CRQIV. Nesta revista o Mestre em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos Paulo Garcia de Almeida fez um texto bem conciso e com muito conteúdo explicando muito bem como todo esse processo funciona, tanto na parte prática quanto na regulamental. Acesse a versão eletrônica do artigo clicando aqui.

No artigo fica claro que toda a química utilizada nos alimentos tem uma base científica forte, não é irresponsável, mas sim indispensável.

Leitura obrigatória para desmistificar um pouco a frase: "Tem muita química aí!" 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Pessoas Ilustres que "caíram" no misticismo, esoterismo e pseudociências

A crença, qualquer uma, é uma espécie de meme, um vírus mental, que atinge a grande maioria das pessoas. Não escolhe sexo, raça, cor, posição social ou nível de instrução. Qualquer pessoa pode, de uma hora para outra, começar a creditar em idéias sem lógica ou místicas, mais fácil ainda se estas idéias estiverem disfarçadas de ciência, como geralmente ocorre.

Aí você pode pensar que para uma pessoa treinada na ciência, ela estaria imune a cair nessa armadilha. Mas não acontece assim. Invariavelmente você vê pessoas brilhantes da ciência ou da tecnologia que também acreditam em pseudociência e misticismo.

Ou seja, além de ter uma mente treinada na ciência, é necessário também ter uma mente treinada também no pensamento crítico, senão ainda se pode cair nas armadilhas da pseudociência e da crença pura e simples.
Vamos ver alguns casos famosos de pessoas que se “desviaram do caminho” por algum momento e começaram a trabalhar e crer em misticismo.


Sir Isaac Newton

Newton foi o homem do século XVII. O inventor do Cálculo, que é só a base de tudo que utilizamos hoje na  física e na engenharia, além de ser o método utilizado para se equacionar qualquer tipo de fenômeno nas diversas áreas do conhecimento. Livros e livros foram feitos sobre Newton e ele é reverenciado até hoje como um dos maiores gênios que já existiu.

Incrível é saber que essa mesma pessoa tenha se envolvido tão profundamente com Alquimia!!!!

Sim, a técnica perseguida por todos na era medieval de transformação dos materiais de forma mágica. Que poderia transformar chumbo em ouro. Que busca encontrar a Pedra Filosofal que daria a vida eterna. Tudo aquilo que vemos nos filmes como ficção, para ele era uma perseguição real. No final de sua vida ele ao desenvolvia mais nada sobre física e matemática, tinha se dedicado totalmente a alquimia.

Ele também ficou estudando a Bíblia cientificamente para descobrir quando seria o Fim do Mundo.

Derrapada na curva, grave!!!

Tem a desculpa de ter vivido num tempo onde tudo era religioso e místico. E nenhum cientista/pesquisador é imune aos pensamentos dominantes da sua época. 


Dr. Linus Pauling

Esse é um caso mais moderno. Linus Pauling foi o ganhador do Prêmio Nobel de Química com seu trabalho sobre a natureza das ligações químicas em 1954. Todo estudante de química obrigatoriamente já viu o diagrama de Linus Pauling, que é imprescindível para entender as reações químicas entre os elementos.  Em 1962 também ganhou o prêmio Nobel da Paz pela sua campanha contra os testes nucleares.

Em resumo, um dos cientistas mais reconhecidos de sua época.

No entanto, ele também foi que desenvolveu a base do que é hoje conhecida como medicina ortomolecular, que prega que é possível retardar o envelhecimento tomando doses corretas de vitaminas. Hoje, apesar de existir um mercado enorme vendendo este tipo de tratamento, essa prática não tem reconhecimento científico. O próprio Conselho Federal de Medicina não permite que médicos a utilizem como tratamento antienvelhecimento.

Mas para o Linus Pauling era real, e ele passou a defender e utilizar desse método até o fim de sua vida. E é nele que hoje os médicos também se baseiam para dizer que a medicina ortomolecular é ciência. Oras, se um prêmio Nobel a defende ,deve estar certo!!!

Mas essa relação direta não existe necessariamente.


Steve Jobs

Recentemente Steve Jobs faleceu devido a um câncer de pâncreas. Se teve alguém que revolucionou a nossa interação com os computadores foi ele. Desde cedo na sua carreira sempre lançou produtos inovadores e sabia como criar um produto que todos precisavam, só não sabiam disso. É lembrado como um exemplo de empreendedor e de criatividade dos tempos modernos.

Quando ele soube que estava com câncer, ao invés de se tratar com o que existe de mais moderno na medicina a qual ele tinha acesso, foi se tratar com medicinas alternativas!!! Entre elas uma dieta vegetariana, acupuntura, hidroterapia e uma  quantidade enorme de cenouras e sucos. 

Como pode uma pessoa tão inteligente, tão antenada com a tecnologia que desenvolvemos e da qual ele fez parte, acreditar que existe alguma medicina alternativa que dê mais resultado? Como se pode acreditar que existe uma cura para câncer de pâncreas que está “escondida” do resto da população e disponível somente para alguns que forem ao encontro de algo que não é reconhecido pela ciência?

_________


Enfim......

Como podemos ver. Não existe regra para o misticismo e para a crença. Todos podem ser vítimas das crenças, mesmo que em diferentes graus de intensidade. Uns acreditam em tudo, outros somente nos cientistas laureados pelo Nobel. E muitas vezes as pessoas nem conseguem identificar que o que acreditam é místico, e acham que é ciência pura, justificando assim a sua crença. 

Vale o alerta. Você tem certeza de que tudo em que acredita tem fundamento científico?

terça-feira, 4 de junho de 2013

Estrutura Molecular já pode ser visualizada, literalmente

Pesquisadores de Berkeley divulgaram imagens de uma molécula orgânica obtidas com um microscópio atômico. Nessas imagens é possível literalmente ver a transformação de uma molécula após uma reação química.

Importante saber que essas imagens só estão confirmando visualmente o que os químicos orgânicos já conheciam. A teoria de reações químicas já é capaz de prever a formação dessas moléculas há muito tempo. 




Matéria completa na Wired.com

sábado, 9 de março de 2013

A Importância do Ceticismo na Ciência: por Joe Schwarcz

Tenho lido que o Prof. Joe Schwarcz está sendo comparado a Carl Sagan da Química. Ele desmistifica vários tópicos sobre química para a população em geral. E das ciências naturais, a química é a que mais carrega preconceitos no seu nome. E esta apresentação mostras alguns desses casos.


Segue a transcrição de alguns pontos que achei mais importantes:

"As pessoas se esforçam muito para comprar produtos "livre de química", o que é a mais absurdas das expressões. Se você comprar algo livre de química, está comprando vácuo." 

"Uma solução de 4% de ácido acético é considerado um produto químico perigoso. Agora se vocÊ pega essa mesma solução e coloca em um frasco de vinagre ele "se transforma" num limpador de cozinha ambientalmente correto!!

"O fato de um produto ser sintético ou natural não altera o efeito que ele causa ao nosso corpo."

"É possível deixar qualquer informação parecendo perigosa. Por exemplo, ao morder uma mação você sabia que sente o gosto de mais de 300 compostos químicos? Entre eles está a acetona e o formaldeído!!"

"Números são importantes. Não existem substâncias seguras, só maneiras seguras de se utilizar substâncias! A dose define o veneno."

"Hoje é praticamente possível provar qualquer teoria que você queira, simplesmente escolhendo os dados científicos que você irá considerar na análise. Mas em ciência deve-se considerar todos os dados, e só então chegar a conclusões."

"Precisamos ensinar ciências nas ecolas para que as crianças sejam letradas em ciência, da mesma forma que devem ser letradas em qualquer outra área."

quinta-feira, 5 de julho de 2012

pH da Água - Vídeo da Khan Academy

Segue um o vídeo da Khan Academy (em português) explicando o que é o pH e como ele é calculado!

Uma ótima aula. Ele explica tudo de forma simples e fácil como sempre! 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal Nerd!


Nunca recebi um cartão de Natal tão nerd. Mas ficou legal!!!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cientistas criam "Vida" Inorgânica!

Primeiro vamos definir o que se chama de vivo neste caso. São células criadas a partir de compostos inorgânicos que podem se replicar e evoluir. A quebra de paradigma sempre foi considerarmos que a matéria inorgânica é inanimada, mas já existem alguns experimentos que dão características de "vida" nestes compostos.
O vídeo abaixo é de uma palestra de 15 minutos do Prof. Lee Cronin que explica a pesquisa e demonstra alguns experimentos. Muito interessante! (está em Inglês, mas verifique se já existe legendas em português!)
O notícia original está no Science Daily, mas essa eu achei legal traduzir inteira logo abaixo.

ScienceDaily (15 de setembro de 2011) - Cientistas da Universidade de Glasgow disseram ter tido os seus primeiros passos para a criação de "vida" a partir de químicos inorgânicos potencialmente definindo a nova área da "biologia inorgânica".

Professor Lee Cronin, Professor Titular de Química na Faculdade de Ciências e Engenharia, e sua equipe têm demonstrado uma nova forma de fazer células inorgânicas ou iCHELLs na sigla em inglês.

Prof Cronin disse: "Toda a vida na Terra é baseada na biologia orgânica (ou seja, carbono na forma de aminoácidos, nucleotídeos e açúcares, etc), mas o mundo inorgânico é considerado inanimado."

"O que estamos tentando fazer é criar uma célula inorgânica auto-replicante, evoluindo, que seria essencialmente viva. Você poderia chamá-la de biologia inorgânica."

As células podem ser compartimentados através da criação de membranas internas que controlam a passagem de materiais e energia através deles, ou seja, vários processos químicos podem ser isolados dentro da mesma célula - exatamente como as células biológicas.

Os pesquisadores afirmam que as células, que também podem armazenar eletricidade, podem potencialmente serem usadas em todos os tipos de aplicações na medicina, como sensores ou para confinar reações químicas.

A pesquisa é parte de um projeto do Prof Cronin para demonstrar que os compostos químicos inorgânicos são capazes de auto-replicação e evolução - assim como as células orgânicas biológicas à base de carbono fazem.

A pesquisa na criação de "vida inorgânica" está em seus estágios iniciais, mas Prof Cronin acredita que é perfeitamente viável.

Prof Cronin disse: "A principal meta é a construção de células químicas complexas com as propriedades animadas que podem nos ajudar a entender como a vida surgiu e também para usar essa abordagem para definir uma nova tecnologia baseada em evolução no mundo material - uma espécie de tecnologia inorgânica viva."

"As bactérias são, essencialmente, um micro-organismo com uma única célula feito de produtos químicos orgânicos, então porque não podemos fazer micro-organismos de produtos químicos inorgânicos e permitir-lhes evoluir?

"Se for bem sucedido isto nos daria algumas idéias incríveis em evolução e mostrar que não é apenas um processo biológico. Também significaria que teríamos provado que a vida à base de compostos diferentes do carbono poderia existir e redefinir totalmente nossas idéias de design."

O artigo é publicado na revista Angewandte Chemie.

sábado, 16 de julho de 2011

Beber 2 litros de água por dia! Agora mudaram de idéia....

Li essa semana que beber 2 litros de água por dia não nos faz nenhum bem adicional. Ou seja, mais um mito está caindo por terra. Para esse caso tinha até um programinha de computador que te avisava quando era hora de beber água!

Já vivi o suficiente pra perceber que não se chega a um consenso no que se refere a bioquímica dos alimentos. Cada ano se descobre algo novo que derruba o conceito antigo. É de se esperar que o corpo humano seja complexo mas somos bombardeados por notícias na mídia que nem sempre possuem o teor científico necessário. Nesse caso da água fiquei sabendo que o financiador da pesquisa anterior era a Danone, que fabrica a água engarrafada.

Agora é a água, já foi o ovo, qual será o próximo alimento liberado?
Só sei que vou comendo de tudo que gosto, porque se ficar me regulando e depois de 30 anos descobrirem que eu não precisava, eu ficaria bem nervoso e não teria mais como compensar o tempo perdido!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Upgrade na Tabela Periódica

A IUPAC (Sigla em inglês para União Internacional de Química Pura e Aplicada) reconheceu a descoberta de dois novos elementos químicos com número atômicos de 114 e 116. Essa notícia é mais interessante quando a gente lembra que há poucos anos atrás só existiam elementos químicos até o número atômico 106. E mesmo assim com nomes provisórios ainda.

Agora esses nomes provisórios são impronunciáveis. No caso aqui ficaram: Ununqudium e Ununhexium. É mais fácil reconhecê-los pelo número atômico mesmo.

Detalhe: Os elementos 113, 115 ainda não passaram nos testes para serem definitivamente reconhecidos.

link da IUPAC aqui.