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terça-feira, 28 de outubro de 2014

A Estatística Dividindo um País

Já falei outras vezes aqui e agora acho que é um bom momento para repetir. A estatística é um ramo tinhoso da Matemática! 

Em praticamente todos os trabalhos científicas da área de humanas vem acompanhada de alguma análise estatística dos resultados. Essa análise estatística é o que possibilita utilizar dados obtidos de uma fonte não exata e atribuir uma "equação", da mesma forma que é utilizada nas ciências exatas.

A característica não exata dessa forma de fazer ciência fica evidente quando outra pessoa utiliza os mesmos dados e chega a conclusões diferentes, simplesmente porque tratou os dados de outra forma, com outro tipo de inferências e aproximações. 

Um exemplo claro e evidente disso foram as nossas eleições de segundo turno para Presidente do Brasil. Praticamente todo o Brasil soube do resultado ao mesmo tempo, as 20:00 h. O mapa do Brasil que estava publicado na UOL mostrava quem ganhou a eleição em cada estado.

Fonte: UOL

Não bastou 30 minutos para sair nas redes sociais que o ideal seria dividir o país, já que o Norte e o Nordeste claramente mostra sua preferencia ao PT e o Sul e Sudeste mostra sua preferência ao PSDB. O tom dos comentários então é melhor nem citar....

A UOL, até com um certo senso de justiça, dividiu o mapa em 4 cores diferentes. E isso ainda deu uma sensação de divisão do país mesmo. 

Mas um dia depois o historiador econômico Thomas Conti publicou um outro mapa, utilizando os mesmos dados, mas dessa vez com as cores variando de intensidade de acordo com o percentual de votação para um lado ou para o outro. O mapa resultante está abaixo. 

Fonte: Terra

Este mapa já deixa uma sensação bem menor de dissociação entre os estados,certo. Na verdade somos uma grande mistura de cores ao longo do país!!!

Mais interessante é que ambos estão corretos!! A única diferença é a forma como os dados foram agrupados, que podem levar a conclusões totalmente diferentes. 

No final só fica o alerta. Não somente para as eleições. Mas sempre que tomarem conhecimento de conclusões baseados em porcentagem para assuntos de ciências humanas, vale a pena pesquisar melhor como os dados estão agrupados!

Se com dados  de porcentagem, que é o básico do básico, já é possível encontrar esse efeito, imaginem com técnicas mais avançadas de estatística!!!

domingo, 30 de setembro de 2012

Eleições 2012 - Qual é o seu Representante?

É de se esperar que os integrantes da Câmara de Vereadores de qualquer cidade seja uma representação da sociedade que lhes elegeu. Sendo assim é normal que nesse grupo de eleitos tenha um percentual de representantes de uma certa crença, de uma certa raça, torcedores de um certo time, e etc.
 
O que acho estranho, e não concordo, é com candidatos tentando serem eleitos simplesmente porque são reprentantes de um certo grupo, sem mostrar nenhuma proposta de trabalho para quando forem eleitos. É só assistir o horário político que é facil identificar uma grande quantidade de candidatos se apresentando com a frase: "Sou representante da religião....." ou "Sou representantes da raça...." ou "Sou representante da torcida....."
 
Acho isso errado porque, mesmo sabendo que uma porcentagem desses grupos será eleito, não deveria ser por esse simples motivo. Porque se o único motivo do cidadão votar numa pessoa é porque ele é representante de um grupo em que ele se enquadra, então porque ele mesmo, ou qualquer outra pessoa desse grupo, não se cadidata?
 
Outro ponto é essa representação depois que o candidato é eleito. Ele é eleito para legislar pela cidade e não somente para um grupo. Se ele foi eleito sem nenhuma proposta de trabalho, só para ser representante de um grupo, o que ele fará depois de eleito? Leis que favoreçam o seu grupo de eleitores em detrimento aos outros grupos? Que tipo de estado vamos ter se isso virar regra?
 
E isso se torna um ciclo vicioso. O velho paradigma do ovo e da galinha. Existem tantos candidatos assim porque o povo vota neles, ou o povo vota neles por que eles são muitos e diluem o foco para os candidatos com propostas sérias para a cidade?
 
Na prática, isso acontece mesmo porque a nossa sociedade em geral ainda não entende o quanto é importante eleger um representante legislativo. Não se tem idéia clara do quanto um desses candidatos eleitos pode mudar a nossa vida para melhor ou para pior. E em geral, por conta dos próprios processos lentos da democracia, fica difícil mesmo para um eleitor entender uma relação de causa e efeito para alguma lei que venha a ser publicada 06 a 12 meses depois da posse.
 
Deveríamos escolher nossos representantes na Câmara que tenham proposta que considerássemos corretas para a nossa cidade e para a melhorar a convivência em sociedade. O time para o qual o candidato torce, a religião que ele frequenta, a cor da sua pele, não deveria ser relevante para que ele fosse eleito.
 
Mas para isso não tem remédio nem decreto que resolva. A única forma da sociedade desenvolver esse senso de responsabilidade é votando.  Só espero que dê tempo para aprender antes que seja tarde demais....

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Pesquisa Eleitoral: Dá pra Confiar?

Foto: TSE
 
Tem candidato na TV gritando que pesquisa não serve para nada e que é impossível que 1000 pessoas entrevistadas possam representar toda uma população de 20 milhões... e ele aproveita e rasga a pesquisa na TV!!! Obviamente este candidato não tem conhecimento nenhum de estatística, nem o básico 1!!! Ou se tem só quer criar um fato na TV!!!
 
A estatística é uma ciência antiga que teve suas fórmulas bem definidas desde a época de Pascal, Fermat e Gauss. Não dá para negar que ela é uma ciência exata. Mas porque as vezes ela erra os resultados das eleições?
 
Bem, existem dois tipos de erros que podem causar a falha de uma pesquisa.
 
O primeiro é o Erro Estatítico natural implícito de que uma amostra não pode representar o todo. Esse erro é reduzido com o aumento da amostra. Por exemplo, se você entrevistar somente uma pessoa e perguntar em qual candidato ele vai votar, a resposta dele será 100% da sua amostra e você não poderá dizer que toda a população vai votar nesse mesmo candidato. O erro estatítico dessa amostra é enorme!!!
Esse erro vai diminuindo com o aumento da amostra, e com 1000 entrevistados esse erro cai para 3,1%, e é a quantidade da amostra que geralmente se utiliza em pesquisa de opinião em época de eleição.
 
Mas existe um erro muito mais escondido que não representa valor numérico. É conhecido como Erro Sistemático. Esse erro é produzido durante a coleta da amostra, onde os critérios de seleção não conseguem garantir uma amostra homogênea. Para esse tipo de erro não é possível apresentar uma valor numérico, e também ninguém espera que esse erro exista, tanto que ele nem é comentado. Mas também não dá para questionar a metodologia dos institutos de pesquisa, se alguém deve saber como selecionar uma amostra são eles.
 
Um exemplo desse erro é tentar definir qual é a maior torcida de São Paulo e começar a entrevistar pessoas. Só que por algum motivo o entrevistador só aborda pessoas com roupas verdes. A porcentagens de palmeirense vai aumentar muito mais do que o real. E se ele entrevistar 1000 pessoas, o Erro Estatístico ainda vai ser de 3,1%. Mas mesmo com esse erro baixo ela está totalmente errada!!!
 
E tem uma fator muito, muito mais importante do que tudo isso, e que praticamente deixa as pesquisas pré eleitorais no patamar de simples curiosidade, o "Ser Humano"!!!
 
Diferente de uma peça escolhida aleatoriamente de uma  produção, o Ser Humano é ativo no processo eleitoral e ele pode mudar de ideia do dia para noite. Ele também pode sacanear a entrevista dizendo que vai votar em um candidato e no dia votar num outro. Já pensou se a partir de hoje, só de sacanagem, todo mundo que fosse entrevistado respondesse que estaria votando no último colocado da pesquisa anterior. Novamente essa pesquisa teria uma margem de erro pequena mas estaria totalmente errada no seu resultado final!!! E ia ter candidato passando uma semana feliz....hehe!
 
Enfim, vejam as pesquisas, leiam sobre elas e comentem com seus amigos. Mas nunca considere os resultados de uma pesquisa para determinar em quem você vai votar!!! Nenhuma pesquisa tem, ou deveria ter, esse poder!!!